MBP

THE MAN BOOKER PRIZE INTERNACIONAL 2018


Já foram divulgados os 6 finalistas do Man Booker Prize Internacional, o prémio criado para promover a literatura de ficção traduzida para a língua inglesa. São estes os contemplados na lista divulgada no passado dia 12 de abril:


Vernon Subutex 1 - Virginie Despentes (França), tradução de Frank Wynne (MacLehose Press)

The White Book - Han Kang (Coreia do Sul), tradução de Deborah Smith (Portobello Books)

The World Goes On - László Krasznahorkai (Hungria), tradução de John Batki, Ottilie Mulzet e George Szirtes (Tuskar Rock Press)

Like a Fading Shadow - Antonio Muñoz Molina (Espanha), tradução de Camilo A. Ramirez (Tuskar Rock Press)

Frankenstein in Baghdad - Ahmed Saadawi (Iraque), tradução de Jonathan Wright (Oneworld)

Flights - Olga Tokarczuk (Polónia), tradução de Jennifer Croft (Fitzcarraldo Editions)


A cerimónia de entrega do prémio decorrerá no próximo dia 22 de maio.


domingo, 8 de janeiro de 2017

O romancista ingénuo e o sentimental, Orhan Pamuk (Editorial Presença)

  
    Uma das minhas prendas de Natal, oferecida pelos meus filhos que sabem o quanto aprecio este autor. Uma primeira palavra para esta edição que, embora de 2012, tem uma sobre capa que oculta a capa original. Segundo a ficha técnica, a ilustração da capa original é de um quadro After the ball (óleo sobre tela), por Casas i Carbo, Ramon (1866-1932). O que terá levado a editora a cobrir esta capa com uma sobre capa, sem qualquer imagem, apenas com o título e o nome do autor em caracteres brancos significativamente maiores, escapa-me completamente. A original atrair-me-ia muito mais que esta sobre capa...Por isso mesmo optei por colocar aqui a capa original.
    O livro condensa um conjunto de conferências que o autor deu na Universidade de Harvard, cujo título é baseado no ensaio de Schiller, a Poesia Ingénua e Sentimental. De acordo com o autor,  na esteira de Schiller, os poetas - escritores - ingénuos escrevem de forma espontânea, não se preocupando com as consequências das suas palavras, nem prestando atenção àquilo que os outros possam dizer, ao contrário dos sentimentais, que não têm a certeza que as suas palavras abranjam toda a realidade e preocupam-se com os princípios pedagógicos, éticos e intelectuais. 
   O objetivo do autor é encontrar o equilíbrio entre o romancista ingénuo e o sentimental que, considera, existem dentro dele.
    Confesso que o que gostei mais de ler foram as reflexões que faz sobre diversos livros enquanto leitor. Aliás, sendo uma obra sobre o autor, o romancista, este livro tem sempre presente o leitor: o autor enquanto leitor e os leitores do livro dele. O primeiro capítulo analisa O que se passa na nossa cabeça quando lemos romances:
    Tirar partido da leitura de um romance, sentindo prazer, é deliciarmo-nos com o ato de partir das palavras para transformarmos todas essas coisas em imagens na nossa cabeça, Ao retratarmos na nossa imaginação aquilo que as palavras nos querem dizer, nós leitores, completamos a história.
(...) 
    Mas mesmo nos outros capítulos analisa esta questão:
Ler um romance é executar o mesmo gesto ao contrário. A única coisa que está entre o escritor e o leitor é o texto do romance, como se este fosse uma espécie de tabuleiro de xadrez, diverrindo-se ambos a jogar. Cada leitor vê o texto à sua maneira e procura o centro onde lhe apetecer
    O autor aborda também a confusão que o leitor, mesmo o mais avisado, faz entre o autor e o protagonista e na dúvida que com frequência os próprios autores criam. Utiliza muitos romances para ilustrar o que vai escrevendo, mas volta obsessivamente a Ana Karenina, o que me deu uma imensa vontade de o reler.
    

Sem comentários:

Enviar um comentário