Prémio Nobel da Literatura 2017

Prémio Nobel da Literatura 2017

Kazuo Ishiguro

autor, entre outros, de Os despojos do dia e Nunca me deixes


segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

A Fotografia, Penelope Lively (Civilização Editora)

 
  Encontrei este livro à venda num centro comercial do Porto. O preço de saldo, aliado à capa, e à indicação Vencedora do Booker Prize (a autora, claro, mas não por este livro) levaram-me a folheá-lo e a interessar-me logo pela sua leitura.
    Há livros assim, muito bem escritos, que imediatamente nos arrebatam mas não convencem. A história pode ser contada em poucas linhas: um académico, viúvo, encontra numa estante um envelope onde está escrito, pela mão da mulher morta há já algum tempo, o seguinte: NÃO ABRIR - DESTRUIR.   
    Dentro do envelope está uma fotografia de um grupo de pessoas. Um homem e uma mulher estão de costas voltadas para o fotógrafo e de mãos dadas. Reconhece os dois: a mulher dele, Kath, e o cunhado, casado com Elaine, irmã dela. Esta descoberta leva-o a uma procura obsessiva do momento em que a fotografia havia sido tirada, da relação  entre os dois e ainda da eventual existência de outros homens na  vida de Kath. 
 
    A investigação termina por afetar outras pessoas envolvidas, num jogo de dominó em que o passado irrompe pelo presente e leva as pessoas a confrontarem-se com as opções feitas e as suas consequências.
     O livro, como já referi, está muito bem escrito. O jogo de presença e ausência de Kath, a maneira como conhecemos cada uma das personagens e como a procura do marido desencadeia dúvidas e interrogações em todos os outros é fascinante. Contudo, fechamos o livro sem respostas, mas também sem muitas perguntas. Muitas das dúvidas surgiriam naturalmente da morte de Kath, numa espécie de autópsia psicológica que aparentemente só a fotografia desencadeou. Confesso até que não me pareceu muito credível que alguém escrevesse num envelope aquela mensagem. Se queria destruir, destruía imediatamente ou guardava, mas nunca com aquela indicação. Nem percebo o efeito da mesma, até porque toda a ação resulta da fotografia em si mesma, pelo que bastaria o facto de ter encontrado a fotografia guardada num envelope.
     O livro passa ainda a mensagem da beleza como uma maldição ("Ela, de entre todas as pessoas", diz ele. "Uma abençoada pelos deuses, ter-se-ia pensado. Mas não era, pois não? Pelos condenados, talvez.")

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