terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Numa casca de noz, Ian Mc Ewan (Gradiva)

   
A minha amiga Ana ofereceu-me este livro pelo Natal. Como o recebi uns dias antes, não resisti e comecei a lê-lo de imediato. Já li vários livros deste autor, a maioria dos quais adorei. Para além de Expiação, são inolvidáveis outros como O fardo do AmorNa praia de ChesilCães Pretos e, mais recentemente, A balada de Adam Henry.
    Este livro, Numa casca de noz, foi por isso uma desilusão. Na badana, o editor refere que no ano em que se assinala o quadricentenário da morte de Shakespeare, qualquer semelhança entre Hamlet e Numa casca de noz não é pura coincidência.
    Numa casca de noz o narrador é o feto, o filho por nascer de Trudy e de John. John é um poeta, professor e editor de poetas, praticamente falido. Trudy, casada com ele, é uma mulher particularmente bonita, que reside sozinha na casa de família de John, a pretexto de ter de pensar na relação de ambos e é amante do seu cunhado, um próspero e ambicioso mediador imobiliário. Ambos decidem matar John, envenenando-o, para poderem vender a casa e ficar juntos. 
    Todo este imbróglio é relatado pelo nascituro, que para além de antecipar com imenso medo o seu futuro, vai comentando a realidade política, económica e ambiental de que se vai apercebendo através dos programas noticiosos que vai ouvindo no podcast da mãe. 
    Confesso que li o livro com sofreguidão, com interesse para saber como terminaria, mas sentindo, simultaneamente, alguma desilusão com o mesmo. Pareceu-me uma experiência, bem sucedida, de um curso de escrita criativa. O desafio lançado a alunos para reescreverem Hamlet. Em vez de um Príncipe dinamarquês, temos um nascituro. 
    Para além da trama, gostei da afirmação da imensa vontade de viver do feto, a antecipação dos riscos que enfrentará se nascer: para além da morte do pai e do seu possível abandono, os riscos de uma guerra nuclear, o aquecimento global, os vários conflitos regionais. 
    Achei outras partes bem menos interessantes e até pouco consistentes. Mas li-o, de fio a pavio, curiosa por saber como acabaria.

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