sábado, 23 de agosto de 2014

O Sétimo Juramento, Paulina Chiziane (Sociedade Editorial Ndjira)

    Um mergulho no mundo obscuro da Magia Negra, numa África atual devastada por guerras, greves e muita corrupção, este livro é também a denúncia de uma realidade a que preferimos fechar os olhos.
    David, antigo revolucionário que lutou pelos direitos dos trabalhadores, é agora diretor de uma empresa estatal da qual desvia fundos sem os quais não consegue, há mais de seis meses, pagar os salários aos operários.

    «Não se trata de fraude, nem de roubo. Foi uma transferência de fundos, uma espécie de empréstimo para criar capital, cuja reposição será feita na devida hora. Um diretor que se preza deve ter capital próprio, uma representação compatível com o cargo.»

    Na iminência de uma greve e de um golpe dos seus suburdinados imediatos, que pretendem denunciá-lo e levá-lo à demissão, David desespera e procura a solução dos seus problemas na magia negra, incentivado pelo seu amigo, também diretor fraudulento e antigo revolucionário, Lourenço.

    «Sou herói. Aos heróis é permitido matar em nome de qualquer utopia: democracia, liberdade, independência. Eu não matei, roubei em nome de um a realidade muito concreta. O meu bolso. Sou de longe o mais santo dos heróis. Tenho as mãos limpas. Sou a pessoa mais inocente deste mundo.»

    Na sua busca pela salvação e pela manutenção do cargo e da riqueza, David está disposto a sacrificar os filhos, a mulher, as amantes. Ao aperceber-se da realidade inquietante e negra que paira sobre a família, é Vera, a mulher de David, que, ajudada pelo filho mais velho, Clemente, tenta travar a mão mortífera do marido, tentanto repor a luz e a felicidade na família. Trata-se de uma luta entre magia negra e magia branca, entre trevas e luz, o mal e o bem.

    «A magia negra impera. Por todo o lado há crimes rituais, incesto, mutilações, mortes, desespero. Gente de todos os estratos sociais busca alicerces na magia negra, para subir na vida, sacrificando os parentes, os amigos e até desconhecidos.»

    «A obsessão pelos mortos é caraterística dos que temem a luta pela vida. Não responsabilizemos os mortos pelo fracasso dos vivos. A natureza deu-nos força para conduzirmos a dinâmica das nossas vidas. Os mortos foram pessoas como nós. Lutaram para sobreviver, umas vezes ganhando outras perdendo. Nos antepassados devemos procurar a força e inspiração para resistir e vencer.»

    Cheio de frases lindissímas que não resisti a roubar (Frases Roubadas).

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