terça-feira, 8 de agosto de 2017

O mar, John Banville (Edições Asa)

  
  
  Nas arrumações cíclicas aos livros, encontrei este, adquirido há alguns anos e não lido então. Já estava no sótão, arrumado, destino dado aos livros lidos ou que abandonei a meio. Este não se enquadra em nenhuma destas categorias e portanto foi uma feliz coincidência termo-nos encontrado. É um livro belíssimo, como um trabalho rendilhado mas cheio de sentido ( O céu estava enevoado e nem uma brisa agitava a superfície do mar, as ondas pequenas desfaziam-se languidamente na orla da água, continuamente, como uma bainha interminavelmente pespontada por uma costureira ensonada.)
    A história é aparentemente simples, Max Morden volta à pequena vila onde passou férias na infância para recuperar da morte recente da sua mulher, Anna, e instala-se na Casa dos Cedros. Era nesta casa que ficavam os Grace, uma família pela qual se sentia atraído em miúdo, em particular pela mãe e pelos filhos gémeos, Myles e Chloe. Instala-se nesta casa na tentativa de os recuperar, de encontrar qualquer resquício da presença deles.     
    O livro decorre entre o passado e o presente: a infância de Max, a separação dos pais, o casamento com Anna, a filha de ambos, Claire, e o luto e as recordações que aquela viagem evoca. À medida que o lemos, temos a impressão que pouco acontece, que é sobretudo um livro reflexivo, sobre a morte, a vida e a perda, mas, quando fechamos o livro, percebemos que aconteceram milhares de coisas. Talvez seja esta a parte mais dececionante do livro, apenas no final, quase numa vertigem, percebemos o que o levou a regressar ao lugar onde passava férias e a razão para o fazer depois da morte da mulher, como se dessa maneira fechasse um ciclo. 
    Não resisto a transcrever uma frase roubada:
     Sempre tive a convição, resistente a todas as conjeturas racionais, de que num momento impreciso do futuro o contínuo e repetido ensaio que tem sido a minha vida com tantas interpretações falhadas, lapsos e fífias, há-de chegar ao fim e que o verdadeiro drama para o qual me tenho vindo a preparar com maior empenho terá finalmente início. Bem sei que é uma ilusão comum que toda a gente acarinha.
    Ao ler algumas críticas sobre o livro, descobri que já foi adaptado ao cinema, que irei tentar ver:

   

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Uma estranheza em mim, Orhan Pamuk (Editorial Presença)

 
  Apaixonei-me pela obra deste autor através da leitura do Museu da Inocência e, por isso, cada livro de Orhan Pamuk que começo a ler vem carregado de uma enorme expetativa, que o resumo deste, publicado na contracapa, ainda acentuou:
    Mevlut viu-a apenas uma vez e foi o suficiente para se apaixonar. Após três anos de cartas enviadas em segredo, decidem fugir. A escuridão da noite auxilia a fuga mas a luz de um relâmpago revela um engano terrível que os marcará para sempre. Chegados a Istambul, Mevlut decide aceitar o seu destino, seguindo os passos do pai (...)
    A história tem como centro este engano e as consequências que produz na vida das pessoas envolvidas, contudo, ao longo das mais de 600 páginas desta obra, grande parte é gasta a falar das alterações na cidade e na vida daqueles que a habitam, na modificação da paisagem urbana, da mudança dos bairros de casas construídas pelos que ali chegavam, vindos das aldeias, para prédios e arranha-céus. 
    A alteração da fisionomia da capital acompanha a alteração na vida das famílias e a própria economia.
    No meio deste fluxo de alterações Mevlut prossegue a sua vida, passando de vendedor de boza a gerente de loja e a outros trabalhos por conta de outrem, mas mantendo sempre a actividade de vendedor à noite, porque, citando Jean-Jacques Rousseau, só consegue meditar quando caminha.
    Há em Mevlut uma recusa em adoptar a nova cidade e a nova economia, permanecendo de alguma forma - ou pelo menos aos olhos dos outros - um campónio, apesar de já viver há várias décadas em Istambul. Talvez a resignação seja a característica mais marcante de Mevlut, o que o leva a aceitar o engano que esteve na origem do seu casamento com Rayiha e a ser feliz. Genuinamente feliz. 
    Gostei muito da forma como o livro está construído, por períodos temporais, que não estão ordenados cronologicamente, bem como da participação das várias personagens como narradores, dando-nos perspectivas diferentes sobre os vários acontecimentos. O peso excessivo das descrições das alterações na cidade e nas zonas limítrofes, poderá tornar o livro particularmente interessante para os seus habitantes, que reconhecerão muitas das zonas e das transformações nele mencionadas, mas tornam-no maçudo para os restantes leitores.
    Apesar disso, e sobretudo pela história de Mevlut, um livro a não perder.

domingo, 30 de julho de 2017

Paraísos Artificiais, Paulo Henriques Britto (Companhia das Letras)

    Foi este o livrinho que me foi recomendado pela simpática rapariga do pequeno stand de livros do Centro Comercial de Alvalade, que já mencionei. Falou-me do autor, brasileiro, que escreve maioritariamente poemas mas que, aqui, se aventura em prosa. E, como ela me prometera, a escrita é maravilhosa. Fiquei amarrada logo na introdução.

    ... você está constantemente largando camadas sucessivas de seu ser, desintegrando-se a cada instante de sua existência no espaço; e é por isso que você não é eterno, não pode ser eterno, pelo mesmo motivo que um lápis ou uma borracha não podem ser eternos.
    Mas há uma maneira simples de alterar essa situação - quer dizer, não alterá-la objetivamente, o que seria impossível, e sim modificar o modo como você a vivencia (e como você só sabe das situações o que vivencia delas, para todos os fins práticos modificar sua percepção de uma situação é a mesma posa que modificar a situação em si): basta sentar-se na cadeira, pegar um lápis e uma folha de papel, e começar a escrever.

    Ao todo, o livre reúne oito contos, excetuando a introdução. Contos, no geral, curtos e estranhos ("Essa lealdade das coisas sem vida me enternece profundamente, dá até vontade de chorar. A gente sempre pode confiar num escorredor ou num fogão de quatro bocas ou num pano de prato, eles são absolutamente incapazes de sacanear a gente. É mesmo um negócio comovente. O amor deve ser mais ou menos isso."), em que nos revemos nas personagens e acontecimentos sem, no entanto, conseguirmos conhecê-los completamente. 
    Não gostei de todos de igual modo, claro. Gostei muito dos primeiros ("Uma doença", "Uma visita" e "O companheiro de quarto"), talvez, em parte, pela novidade, pela descoberta da escrita e do autor e gostei particularmente do último, "Os sonetos negros", o maior, quase um mini romance - talvez por ser aproximar desse estilo literário.
   É um livrinho leve, tanto na escrita como literalmente, que aconselho a todos quantos gostam de boa escrita.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Os Interessantes, Meg Wolitzer (Teorema)

    Este romance acompanhou-me durante os últimos dois meses. Surpreendi-me ao aperceber-me disto porque geralmente vou arrastando as leituras que não me despertam o interesse - o que não foi o que aconteceu neste caso. Gostei muito deste livro. Creio que porque conta estórias banais, de pessoas normais que poderíamos ser nós, os nossos amigos e conhecidos. Como tal, não há talvez uma trama que nos mantenha totalmente absorvidos porque precise de ser destrinçada (e entendo que isso para muitos seja dissuasor da leitura) mas antes, cada vez que abria o livro, sentia-me a reencontrar os meus velhos amigos nas suas páginas: a Jules, a Ash, o Ethan, o Jonah, o Dennis.
    Apesar de seguirmos um pouco as estórias de todos eles, o foco maior é sobre Jules. Julie, quando o romance começa, que integra o campo de férias no âmbito das artes, Spirit-in-the-Woods, por ter conseguido uma bolsa, e onde conhece o grupo de amigos que fará parte do resto da sua vida - Os Interessantes. No fundo, são jovens que se crêem artistas e que esperam de si mesmos grandes feitos, em diferentes áreas: teatro, animação, música, dança. E no entanto, como quase tudo o que planeamos para as nossas vidas, quase nenhum deles alcança esse sonho. 

    Em breve, ela e os outros seriam irónicos durante grande parte do tempo, incapazes de responderem a uma pergunta inocente sem carregarem as palavras com um pequeno ajuste mordaz. Passado relativamente pouco tempo, a mordacidade haveria de se atenuar, a ironia misturar-se-ia com a seriedade e os anos encurtar-se-iam e voariam. Depois não faltaria muito para que todos se sentissem chocados e tristes por terem crescido por completo e chegado às pessoas adultas mais densas e finalizadas que eram, praticamente sem hipótese de se reinventarem.

    Não é, no entanto, um livro triste ou amargo. Não se trata de um retrato de pessoas revoltadas ou desiludidas com a vida. Também passa por aí; todos passamos. Mas é mais do que isso. É um livro sobre a vida, sobre como o mundo à nossa volta vai girando sem se vergar às nossas vontades e como temos de ser nós adaptar-nos (e conseguimos!). Sobre como tanto do que somos, do que nos move, do que aspiramos, guardamos para nós mesmos, escondemos dos outros, mesmo dos que nos são mais íntimos. E é também como, na realidade, não mudamos assim tanto desde que somos crianças e, pelo contrário, mantemos sempre em nós, mais ou menos acesos, os mesmos desejos, os mesmos traumas, a mesma busca incessante ("...faz tudo o que faz de ti quem és. (...) É tudo o que temos, não é? Que mais existe, para além de basicamente construirmos coisas até ao dia em que morrermos?"). Por fim, é um livro sobre amizade - sobre aqueles amigos que nos acompanham por toda a vida, que crescem connosco e se moldam connosco, que nos marcam e constituem, na realidade, mais um pedaço de nós.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Apaixonados por Livros

    No Centro Comercial de Alvalade há um pequeno stand de livros, pelo qual passo todos os dias, no meu caminho de ou para o escritório. Nunca lá parara antes de hoje. Percorria sempre as capas com os olhos, mas controlava a vontade de parar, primeiro porque trazia sempre um livro comigo, e depois porque gosto de levar o meu tempo a vaguear pelos livros, sem me sentir pressionada a comprar ou mirada pelos vendedores.

    Mas hoje acabei o livro que estava a ler (“Os Interessantes”, de Meg Wolitzer) e, antecipando o momento em que apanharei o metro de regresso a casa, sem ter o que ler, decidi ver se algum livrinho pequeno me chamava a atenção.

    E então parei. E já tinha na mão um livro do Primo Levi, preparando-me para ler a contracapa, quando a menina que estava naquele momento do Stand veio ter comigo para me informar que os livros estavam com 10% de desconto. Perguntou se precisava de ajuda e eu comentei com simplicidade que estava apenas a ver se havia algum livro pequenino interessante porque tinha terminado o meu de manhã e não tinha o que ler no regresso a casa. A cara dela iluminou-se e exclamou “Como percebo o que quer dizer! O que gosta de ler?”. Respondi, e então informou-me que as prateleiras que estavam à nossa frente tinham livros acabados de chegar do Brasil, muito bons. Era brasileira. Começou a procurar no meio dos volumes os autores de que mais gostava e livros que já lera. Aceitei de bom grado os conselhos dela e acabei por trazer um livro de contos de Paulo Henriques Britto, “Paraísos Artificiais”. Quando mo estendeu, apresentou-mo da seguinte forma “Este autor escreve maioritariamente poesia. Aqui são contos. Agora imagine, um autor de poesia a escrever prosa… consegue imaginar que as frases são lindíssimas!”.

    Depois de pagar ela pediu-me que passasse por lá quando terminasse para lhe dizer o que tinha achado do livro.


    Acho que nunca tinha sido tão bem atendida, por uma pessoa tão entusiasta e que tão visivelmente adora ler. Não podia deixar de partilhar. 😊

sábado, 1 de julho de 2017

Manual para mulheres de limpeza, Lucia Berlin (Alfaguara)

   
  O meu irmão ofereceu-me este Manual para mulheres de limpeza de que já tinha ouvido e lido críticas muito positivas. Comecei a lê-lo depois de abandonar alguns livros que tinha iniciado mas que não me apeteceu acabar. Sei que é um direito que me assiste mas que resisto a utilizar sobretudo quando se trata de livros de autores de que gosto. Vou insistindo, lendo diariamente mais umas páginas até que o substituo por outro. Este livro deu-me o álibi perfeito para abandonar aquele que estava a ler: comecei e não consegui largá-lo mais. 
    Antes de começar a ler os contos, li o Prefácio de Lydia Davis, a introdução de Stephen Emerson, que seleccionou os contos, e a nota final sobre a vida de Lucia Berlin. Este conjunto de textos permitiu-me contextualizar, perceber e sobretudo apreciar mais os contos que li depois, pela ordem que são apresentados. 
    É a primeira colectânea de contos que leio em que não fico desiludida com o fim precoce de cada história ou com  sentimento de perda por não poder acompanhar mais as personagens. E os contos são, em regra, muito curtos mas acabam na altura certa. Há desde logo qualquer coisa na forma como começam, dispensando aquele início lento e tímido que se destina a dar o necessário contexto ao leitor, que é a característica mais interessante desta autora. Alguns exemplos de inícios de  contos:

    O Jesse apanhou-me desprevenida.
    Era difícil assegurar sozinha a receção e o gabinete.
    A solidão é um conceito anglo-saxónico.

    Começamos cada conto imergindo  imediatamente no lugar, no tempo e na história que vamos ler. Não se trata apenas da forma como os contos estão escritos, mas sobretudo das histórias narradas e aí a autora tem uma imensa vantagem. Ela limita-se a contar-nos o que viveu porque na realidade teve várias vidas: exerceu diversas profissões, desde mulher de limpeza a professora universitária, criou os quatro filhos, foi alcoólica, casou-se três vezes...E recheia as vivências que relata com as sensações e emoções que as acompanharam. É como entrarmos num filme a quatro dimensões que nos envolve enquanto o lemos.
    O conto que dá o título a esta colectânea, Manual para mulheres de limpeza, é fascinante porque dá-nos a perspetiva das mulheres de limpeza mas sem cair na dicotomia fácil de ridicularizar as patroas. Apenas descreve o dia a dia de uma mulher de limpeza que tem dificuldade em ser aceite pelas empregadas e pelas patroas porque tem "educação" e vai dando conselhos: aceitem tudo que a vossa patroa vos der e digam obrigada. (....) por regra, nunca trabalhem para amigos. (...) quanto a gatos...nunca se afeiçoem a eles....(...) Também nunca trabalhem para psiquiatras....(...) mostrem-lhes que são rigorosas. Mas ao mesmo tempo que vai entrando e saindo de casa vai falando sobre Ter e a sua morte e acaba o conto dizendo: Finalmente, choro.
    Mas o conto que mais me tocou foi o Espera um minuto, sobre a morte da irmã que ela acompanhou e que aborda noutros contos [Zango-me com todos porque estão a trabalhar, a viver. Por vezes, odeio-te por não estares a morrer. Não é horrível?
    Não, porque consegues dizer-mo. E eu consigo dizer-te que fico contente por não ser eu quem está a morrer. (Mã)].
     Este conto é escrito sete anos depois da morte da irmã, talvez por isso se perceba a mágoa, a saudade, mas não seja comovente. Não resisto a retirar um excerto:

    Quando alguém tem uma doença terminal, o ritmo tranquilizador do tempo é estilhaçado. Depressa de mais, não há tempo, adoro-te, tenho de acabar isto, diz-lhe isso. Espera um minuto! Quero explicar (...) Ou então o ritmo torna-se sadicamente lento. A morte limita-se a pairar por perto enquanto esperamos que caia a noite e, depois, esperamos que amanheça. Todos os dias nos despedimos um bocadinho.

    É impossível dar uma imagem completa destes contos. Só lendo-os. Mais que uma leitura, uma experiência a não perder.

domingo, 25 de junho de 2017

Noite da Literatura Europeia - Lisboa 2017

     
    Ontem, 24 de junho, participámos como voluntárias na Noite da Literatura Europeia 2017. Oportunidade de conhecer pessoas que gostam de livros, novos autores e espaços em regra inacessíveis a visitantes.
    Foi também a primeira vez que ouvi falar deste evento que, soube depois, nasceu em 2008 em Praga, na República Checa, com o objetivo de dar a conhecer a literatura europeia contemporânea através de curtas leituras em espaços diversificados. As leituras, com aproximadamente 15 minutos de duração, repetem-se a cada meia hora para permitir que o público possa visitar todos os onze locais e assistir ao programa completo.
    As leituras decorreram em diversos espaços entre o Carmo e a Trindade, das 18:30 às 23:30. Nesta edição, participaram 11 autores de 11 países europeus:
     
Tilman Rammstedt – Alemanha
Obra: Amanhã há mais
Leitor: Ulisses Ceia
Local: Quartel do Carmo da GNR

Kathrin Röggla – Áustria
Obra: Fake reports
Leitores: Daniela Gonçalves, Olinda Favas, Emanuel de Sousa
Local: Círculo Eça de Queiroz

Cristina Peri Rossi – Espanha
Obra: O amor é uma droga dura
Leitores: John Wolf, Lauren Mendinueta
Local: Academia de Amadores de Música

Arto Paasilinna - Finlândia
Obra: A lebre de Vatanen
Leitora: Cátia Sá
Local: Lisboa Pessoa Hotel

Olivier Bourdeaut - França
Obra: À espera de Bojangles
Leitora: Ana Sofia Paiva
Local: Museu Arqueológico do Carmo

Andreas Staikos - Grécia
Obra: As ligações culinárias
Leitor: José Ideias
Local: Claustro do Museu de S. Roque (SCML)

Simonetta Agnello Hornby - Itália
Obra: Café amargo
Leitora: Inês Lapa
Local Sala do Brasão do Museu de S. Roque (SCML)

Catarina Sobral - Portugal
Obras: Achimpa; O meu avô
Leitor: Miguel Fragata
Local: Terreiro Místico da Igreja do Santíssimo Sacramento

Alex Bellos - Reino Unido
Obras: Futebol: O Brasil em campo; Alex no país dos números
Leitor: Rogério Martins
Local: Sala de Extrações da Lotaria Nacional (SCML)

Jiří Hájíček – República Checa
Obra: Pau de chuva
Leitor: Júlio Martín
Local: Livraria Sistema Solar

Matei Vișniec - Roménia
Obra: Teatro decomposto ou O homem-lixo
Leitor: Nuno Pinheiro
Local: Teatro da Trindade

Não tive oportunidade de ver na íntegra todas as leituras, mas não posso deixar de referir a leitura do livro À espera de Bojangles. Não sei se foi do cenário, da leitura ou da música, mas foi um momento mágico. Vou de certeza lê-lo.