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A nova rubrica quinzenal da nossa página afiliada, Ponto&Vírgula, começou com o testemunho na nossa co-autora Ana Vargas.

Acompanhe a partir daqui os textos publicados:

#1 Leio, logo... crio laços, por Ana Vargas (24/04/2018)
#2 Leio, logo... empilho, por Sofia Guedes Vaz (08/05/2018)
#3 Leio, logo… sonho,
por Alexandre Gusmão (22/05/2018)

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Queremos que participe nesta rubrica! O que é, para si, ler? Qual é a sua visão do mundo literário, do lado do leitor? Entre em contacto connosco, por mensagem privada na página Ponto&Vírgula e partilhe a sua opinião.



quarta-feira, 23 de maio de 2018

Historia de quem vai e de quem fica, Elena Ferrante (Relogio d' Água)

  
     Já iniciei a leitura do quarto volume, mais uma vez logo depois de acabar o livro anterior. Como se do mesmo volume se tratasse. Acabo um e começo imediatamente a leitura do seguinte, embora me sinta envolvida numa relação ambígua: não consigo parar de ler, mas não sinto que seja uma obra que perdurará ou que justifique a paixão e a projeção que tem tido.
    Neste terceiro volume vamos encontrar as duas protagonistas, Lila e Elena, já adultas, com filhos, e ambas trilhando percursos distintos entre si, mas sobretudo distantes da vida que tinham conhecido no bairro onde nasceram e cresceram. Apesar de uma ter partido e outra ter ficado, a vida das duas é, em termos políticos, sociais, económicos e familiares distinta da maior parte das pessoas com que cresceram. 
    Elena vai para a universidade, publica um livro e casa com um jovem professor universitário oriundo de uma família ligada ao meio académico. Lina separa-se do marido e vai viver com Enzo, um amigo. Durante o dia trabalha em condições miseráveis numa fábrica de enchidos e à noite, juntos, estudam computadores, através da leitura de fascículos e de exercícios que ela vai inventando. 
        Neste livro avoluma-se a estranheza da relação das duas, sempre apresentadas como amigas, reconhecendo-se como tal, embora vivam numa permanente competição e receio recíproco (....aquele incidente convenceu-me de que era melhor não levar Pietro a visitar Lila: conhecia-a bem, ela era má, ia achá-lo ridículo e fazer troça dele....
....a nossa relação já não tinha intimidade. Reduzira-se a notícias condensadas, detalhes escassos, piadas maldosas, palavras em liberdade, nenhuma revelação de facto e pensamentos só para mim.)
    Elena, a narradora, que estudou e que saiu de Nápoles, quando um dia regressa sente-se angustiada porque, apesar de tudo o que fez, sente que tem menos história que a amiga (Quantas coisas perdera ao ir-me embora, julgando que estava destinada a uma vida sei lá como.)
   Este livro decorre nos anos 70, tendo como pano de fundo as lutas estudantis, a emancipação da mulher, o aparecimento da pílula, o debate político e ideológico em Itália, mas também no mundo, o que permitiu que Elena e Lila se envolvessem e descolassem do destino das gerações precedentes. Como se se tratasse de um fresco da vida italiana desses anos, de que elas são protagonistas e testemunhas privilegiadas. A amizade entre elas é apenas um pretexto, uma justificação para que Elena escreva sobre ambas.
   

terça-feira, 22 de maio de 2018

22 DE MAIO - DIA DO AUTOR PORTUGUÊS





Dia 22 de maio assinala-se o dia do autor português. A data foi instituída em 1982 e pretende homenagear os autores portugueses, nas diversas áreas, que contribuem para a cultura e o desenvolvimento da sociedade.
Estes são os autores portugueses que já passaram pelo nosso blogue. Clique no nome para conhecer os livros que lemos de cada um deles ou em “Saber mais” para descobrir um pouco mais sobre a vida e a obra de cada um deles.

terça-feira, 15 de maio de 2018

A Boneca de Kokoschka, Afonso Cruz (Companhia das Letras)

   Mais uma vez, apaixonei-me pela escrita de Afonso Cruz na primeira página - e, ao longo de todo o romance, lá fui dobrando os cantos das páginas onde encontrava passagens particularmente bonitas. Funciono assim. Leio com muito prazer frases bonitas, pela simples beleza delas e mesmo que, por si só, não constituam um acrescento à história que está a ser contada.

   Numa loja de pássaros é onde se concentram mais gaiolas. (...) E algumas estão dentro dos pássaros e não por fora, como as pessoas imaginam. Porque Bonifaz Vogel, muitas vezes, abrira as portas das gaiolas sem que os canários fugissem (...), desviavam os olhos da liberdade, que é uma das portas mais assustadoras. (...) A gaiola estava dentro deles. A outra (...) era apenas uma metáfora. Bonifaz Vogel vivia no meio de metáforas.

    Neste livro, que são dois (um livro dentro de um livro), e que se passa em três partes, a história é, na verdade um novelo que só se destrinça na última página. Não porque envolva um grande mistério que nos deixe em suspense do princípio ou fim, mas porque são inúmeras as personagens que se atravessam à nossa frente, aparentemente por acaso. Só que, no fim, acabam por estar todas ligadas umas às outras.  Talvez seja esse o mistério afinal: a forma como as personagens encaixam entre si. Confesso que houve alguns momentos em que me perguntei porque tínhamos deixado de seguir tal personagem e passado a seguir outra, com pena por abandonar a primeira, e algum desconforto ao reencontrá-la, páginas mais tarde que constituíram muitos anos. 
    Também porque ao começar o livro assumi que sabia que vidas iríamos seguir, fiquei um pouco desiludida ao perceber que, depois das primeiras páginas, com um miúdo judeu em fuga, escondido debaixo de um alçapão, cuja voz subia pelas pernas de um velho vendedor de pássaros até dentro da sua cabeça, o miúdo já era adulto e casado e o velho era o seu protegido há alguns anos - e o tempo entre os dois momentos é-nos totalmente vedado. Entram então em cena inúmeras personagens que, à partida, parecem largadas ali ao acaso. No entanto, reconciliei-me com o romance nas últimas páginas, mais uma vez cheias de frases lindíssimas e que, além disso, dão o nó final na história, criando os pontos de contacto que pareciam esquecidos, de uma forma muito simples e bonita.

    A visão do mundo não é apenas o que vemos (...), é também o que imaginamos. O tempo não é uma seta do passado para o futuro, o tempo tem muitas dimensões, tal como o espaço. (...) Enquanto não virmos o tempo com todas as suas dimensões, não vemos nada.

    Não tenho forma melhor de resumir do que usar as palavras do próprio autor, num pequeno parágrafo desgarrado a meio do livro:

    O pintor Oskar Kokoschka estava tão apaixonado por Alma Mahler que, quando a relação acabou, mandou construir uma boneca, de tamanho real, com todos os pormenores da sua amada. A carta à fabricante de marionetas, que era acompanhada de vários desenhos com indicações para o seu fabrico, incluía as rugas da pele que ele achava imprescindíveis. Kokoschka, longe de esconder a sua paixão, passeava a boneca pela cidade e levava-a a ópera. Mas um dia, farto dela, partiu-lhe uma garrafa de vinho tinto na cabeça e a boneca foi para o lixo. Foi a partir daí que ela se tornou fundamental para o destino de várias pessoas que sobreviveram às quatro mil toneladas de bombas que caíram em Dresden durante a Segunda Guerra Mundial.

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segunda-feira, 14 de maio de 2018

História do Novo Nome, Elena Ferrante (Relógio D' Água)

    Mal acabei de ler o primeiro volume da tetralogia A Amiga Genial peguei no segundo volume, História do Novo Nome, que tem um subtítulo ou um capítulo único: Juventude. É a continuação do primeiro livro, daí que me tenha surpreendido que, tal como no anterior, este livro se inicie com um índice das personagens e com a síntese dos acontecimentos do primeiro volume. Ao contrário de outras obras publicadas em vários volumes, esta não possui autonomia, ou seja, seria impossível ler o segundo livro e compreendê-lo sem ler o primeiro.
    A mestria da autora revela-se logo no início, depois de relatar um episódio que se passa um pouco mais tarde, regressamos ao casamento de Lila e à questão que tinha ficado em suspenso quando concluímos a leitura do primeiro livro e que é determinante para perceber as relações que se estendem desde então entre as várias personagens. 
   Mantém-se a  amizade entre Elena -Lenú - e Lila,  mesclada por outros sentimentos, sobretudo ressentimento e inveja, enquanto a vida de ambas  diverge cada vez mais. Mas é como se fossem duas faces da mesma moeda, duas possibilidades de vida em que cada uma, de alguma maneira, se revê na outra:
    "Compreendi que fora até lá cheia de soberba e dei-me conta de que - de boa fé, é certo, com afeto - fizera aquela viagem toda sobretudo para lhe mostrar aquilo que ela perdera e que eu ganhara. Mas ela apercebera-se disso desde o instante em que eu lhe aparecera à frente, e agora, arriscando-se a ter atritos com os colegas de trabalho e a ser penalizada, estava a reagir, explicando-me de facto que eu não ganhara nada, que no mundo não havia coisa nenhuma para ganhar, que a sua vida era tão cheia de aventuras variadas e insensatas como a minha, e que o tempo simplesmente passava sem fazer qualquer sentido, e que era bom vermo-nos só de vez em quando para ouvirmos o som louco do cérebro de uma repercutir-se dentro do som louco do cérebro da outra."(pg. 368).
    
    Confesso que me sinto dividida, porque não consigo parar de ler mas, ao acabar o o segundo volume, sinto, como quando acabei o primeiro, que ambos se esgotam no destino destas jovens e no circulo reduzido das personagens que as acompanham, em particular os residentes no bairro napolitano onde nasceram, e nas questiúnculas entre eles. Por outro lado é quase como se estivesse a ver um filme neo-realista italiano. Lemos e imaginamos as personagem, os locais, as roupas, os sentimentos até. Há uma densidade nas pessoas, na descrição do quotidiano das suas vidas e das suas expetativas, que permite que o leitor se sinta envolvido ou mesmo presente.
    
    Mais uma vez, acabei de ler este livro e comecei imediatamente a ler o terceiro.

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sexta-feira, 4 de maio de 2018

A Amiga Genial, Elena Ferrante (Relógio d' Água)

   
    Resisti algum tempo ao fenómeno Elena Ferrante, alimentado pela tetralogia que começa com este livro, A Amiga Genial, e adensado pelo mistério sobre a sua identidade. Quanto à questão da identidade, seja qual for a razão que a justifica, é uma decisão que admiro e respeito, contudo, ao longo da leitura deste livro dei por mim a pensar que este livro tinha sido escrito por uma mulher. Dificilmente imagino um homem a falar por uma adolescente, a compreender tão perfeitamente o que se passa na cabeça de uma jovem, ao longo da sua adolescência. Imaginei também que quem o escreveu, tinha ao lado um diário, ou mesmo uma resma de diários, daqueles que têm um pequeno cadeado, escritos ao longo de anos e que ia consultando enquanto escrevia. É quase impossível pensar que não se trata de um relato autobiográfico, de tão detalhado que é, ideia que é reforçada pelo facto de a personagem principal, a narradora, ostentar o mesmo nome próprio da autora, Elena.
   Lido o primeiro livro, não me resta outra alternativa senão prosseguir e faço-o sem esforço e com prazer até. O mesmo prazer que sinto quando leio um bom livro policial. O livro começa assim:
Rino telefonou-me esta manhã, pensei que quisesse outra vez dinheiro e preparei-me para lhe dizer que não. Mas o motivo do telefonema era outro: não sabia da mãe.
"Há quanto tempo?"
"Há duas semanas."
"E agora é que me ligas?"
    E acaba com um golpe de génio. Depois de o fecharmos, é difícil passar um dia inteiro sem  poder lançar mão do segundo volume e começar a lê-lo sofregamente.
    O livro trata da amizade entre duas raparigas, Elena e Lila, que vivem num bairro pobre napolitano, em meados do século XX. As duas são muito inteligentes, mas Lila, ao contrário de Elena, não continua a estudar e termina por casar aos 16 anos, com uma grande festa, para a qual são convidados todos os habitantes do bairro. As vidas das duas vão divergindo mas conservam intacta a amizade que as une, feita de cumplicidade mas também de admiração. Ambas consideram a outra a amiga genial.
    Nalguns aspetos o livro oferece-nos um retrato próximo da realidade portuguesa de alguns anos atrás, na questão da escola, na quase inexistência de mobilidade social, na situação das mulheres, nas relações familiares, mas noutros é tipicamente italiana: 
    Continham a raiva por amor de Lila, mas no fim da festa, quando ela fosse mudar de roupa, quando regressasse vestida com o traje de viagem, quando já tivesse distribuído as lembranças, quando já se tivesse ido embora, toda elegante, ao lado do marido então rebentaria uma rixa monumental, que daria origem a ódios que durariam meses e anos, e  a despiques e ofensas que envolveriam maridos, filhos, todos eles com a obrigação de mostrar às mães e às irmãs e às avós que sabiam ser homens.
    Quase que conseguimos vê-los....

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domingo, 29 de abril de 2018

Dorian Gray, Oscar Wilde (11x17)

    Reler um livro é sempre uma viagem que traz um certo receio. Relemos  os livros que nos marcaram de alguma forma, provavelmente procurando reavivar esses sentimentos entretanto adormecidos. E corremos o risco de não o conseguir, de não rever o encanto da primeira leitura. Pelo menos eu, quando releio um livro, faço-o com algum receio.
    Dorian Gray foi um desses livros. Sei que o li há muitos anos e lembrava-me de o ter adorado, ainda que apenas me lembrasse dos traços gerais da história: um jovem muito bonito e puro que é pintado e cuja pintura acumula as marcas da idade e da vida pecaminosa que entretanto o jovem passa a levar, poupando-o a ele dessas mazelas físicas - e dando-lhe liberdade para perpetrar os seus vícios.
    Decidi relê-lo por ocasião do concurso Novos Talentos FNAC 2018, que, na categoria Escrita pedia um conto baseado num clássico da literatura, de alguma forma transposto para a atualidade. Escolhi Dorian Gray.
    A sua leitura, não desiludiu. É um livro claramente datado, o estilo é muito específico da época em que foi escrito (e está francamente bem mantido com esta tradução - os meus parabéns a Januário Leite), mas é uma delícia de ler. Tenho vários cantos de páginas marcados, com frases que me prenderam a atenção.
    É descrito como um romance filosófico e, de facto, coloca em cima da mesa uma série de questões merecedoras de reflexão: a beleza, a arte, a virtude, a influência, os sentidos, o pecado. 
    Dorian Gray é pintado por Basil Hallward e, na tarde em que o quadro fica pronto, um velho amigo de Basil, Henry Wotton, encontra-se no seu estúdio. Como Basil, também Henry fica encantado com a beleza de Dorian, apontando-lhe que ele possui as duas únicas virtudes que vale a pena ter: beleza e juventude - e que as vai perder a ambas. Ao aperceber-se da veracidade do vaticínio, Dorian não o consegue suportar:

    Sim, chegaria um dia em que as rugas lhe encarquilhariam o rosto, o brilho se lhe apagaria dos olhos, toda a graça da pessoa se quebrantaria e deformaria. (...) A vida que lhe devia animar a alma arruinar-lhe-ia o corpo. Tornar-se-ia terrível, hediondo, grotesco.
    Ao pensar nisso, uma dor aguda trespassou-o como uma faca, fazendo-o estremecer em cada fibra delicada da sua natureza. (...)
    - (...) Se fosse o contrário!... Se fosse eu que ficasse sempre jovem e o quadro envelhecesse!... Para isso... para isso... daria tudo! Sim, nada há no mundo que eu não desse! Até a minha alma daria.

    Com este apelo, Dorian efetiva a troca e, ao primeiro sinal de crueldade que demonstra, apercebe-se do seu efeito no quadro, conquanto mantenha a sua compleição intacta, jovem e aparentemente pura. Inicia então uma vida desregrada, num crescendo de pecado em pecado, de vício em vício, sempre com os efeitos que causa à sua própria alma perfeitamente acessíveis ao seu olhar - e ao de mais ninguém.

    O livro está muito bem, escrito, como já comentei. É datado e tem muitas referências que não assim tão percetíveis para quem não conheça as obras mencionadas, pelo que acaba por se perder um pouco em alguns momentos, mas é, sem dúvida, uma leitura que recomendo.

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quarta-feira, 25 de abril de 2018

O ministério da felicidade suprema, Arundhati Roy (Asa)

 
    Não sei o que dizer sobre este livro. Comecei a lê-lo e fiquei imediatamente presa pela história, pelas personagens, pelos seus percursos. Cada vez que pegava nele, essa sensação renascia, mas muitas vezes acompanhada do sentimento de perda por algumas personagens que desapareciam, desconhecendo que iriam reaparecer mais à frente. E são quase todas personagens fascinantes, às quais ficamos amarrados.
  
    Penso que senti este mesmo tipo de fascínio com alguns livros e personagens de Gabriel Garcia Marquez, mas não ousaria falar em realismo mágico neste caso, porque a realidade das pessoas aqui retratadas é na maioria dos casos dilacerante. Se houver magia é nas personagens, na forma como se relacionam, protegem e sobrevivem. Como disse a autora, este livro é sobre aqueles que foram postos fora do sistema (...)  excluídos. E que conseguiram juntar-se, como peças perdidas de um puzzle, num certo lugar de relativa felicidade. Há felicidade nos lugares mais estranhos e inesperados. E, por mais frágil que seja, tem a sua integridade. (Entrevistada por Luciana Leiderfarb, a propósito da publicação desta obra, Expresso a 13.08.2017)
    
    Ao longo da leitura percebi o grande desconhecimento que tenho relativamente à Índia ou ao subcontinente indiano, como se lhe referiu Arundhati. E com este livro mergulhamos de repente, sem esperar e sem aviso, nos conflitos entre indianos, paquistaneses e caxemirenses, agravados por nacionalismos diversos e castas, numa intrincada rede que temos dificuldade em seguir e situar-nos. A dificuldade é ainda aumentada pela utilização de palavras ou expressões não traduzidas ou referências não explicadas ou contextualizadas pelo editor ou tradutor.

    O livro é de uma violência imensa, desde as descrições de torturas a assassinatos por razões que nos parecem totalmente absurdas, mas no meio deste horror, as pessoas encontram espaço e tempo para se amarem, para se ajudarem e até para escolherem manter viva a criança nascida na sequência de tortura e violações. O livro fala na felicidade mas penso que é sobretudo um livro sobre a esperança, esperança num futuro em que todas estas questões estejam ultrapassadas, daí a importância, centralidade e proteção dadas à Menina Jebeen a Segunda.

    Não é uma leitura fácil, pela dimensão, pelo horror de muitas das histórias, pelo desconhecimento que temos daquela parte do mundo, e penso que o livro também evidencia o tempo que a autora o levou a escrever e a vontade de nele relatar histórias e personagens que tinha conhecido ao longo de vinte anos do seu ativismo, mas é, indiscutivelmente, um livro a não perder.

    Acabei de o ler, mas penso que precisava de o ler de novo para o captar na sua totalidade.

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